Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010
Trabalhadores do Santander e HSBC lutam para que bancos garantam direitos iguais

Representantes de bancários do Santander e do HSBC de pelo menos 19 países das Américas, Europa e Ásia estarão em São Paulo entre os dias 17 e 19 de março para discutir um acordo marco global válido para trabalhadores desses bancos em todo o mundo. A intenção é redigir um documento que, ao ser assinado por trabalhadores e bancos, garanta direitos fundamentais e conquistas como organização sindical sem ingerência patronal e à sindicalização sem retaliações, repressão ou discriminação.

“Esse evento será o carro-chefe de uma grande campanha mundial pela assinatura destes acordos, que contarão com direitos assegurados nas determinações da OIT (Organização Internacional do Trabalho), entre outros”, disse o brasileiro Marcio Monzane, diretor regional da UNI América Finanças e Comércio. A UNI Finanças é um braço da UNI Sindicato Global, que representa 20 milhões de trabalhadores de cerca de 900 sindicatos ao redor do mundo – entre eles o Sindicato – e que está à frente da organização do evento. Segundo Monzane, a UNI já firmou acordos marcos com multinacionais como a seguradora Allianz, a rede de supermercados Carrefour e as empresas de telecomunicações Portugal Telecom e Telefonica.

Ele esclarece que os primeiros passos para que os acordos marcos com os dois bancos se tornem realidade foram dados no ano passado, com reuniões entre grupos de trabalho nos países. “Todos as direções dos bancos a nível nacional já foram informadas oficialmente da reivindicação, e muitas já se reuniram com os trabalhadores em cada país. Agora, com o seminário internacional, queremos que essa nossa luta se torne de conhecimento de toda a sociedade.” No Brasil, sindicalistas enviaram cartas às direções dos bancos e reuniram-se com o Santander e o HSBC no dia 10 de fevereiro para iniciar as tratativas.

Responsabilidade social - O presidente da UNI Global, Oliver Röethig, lembra que HSBC e Santander empregam juntos cerca de 466 mil pessoas no mundo “e precisam provar que são sérios com relação a seus compromissos com a responsabilidade social assinando os acordos globais. Nós estamos prontos para negociar”, disse.

Para a diretora do Sindicato Rita Berlofa, que também coordena a Rede dos Trabalhadores do Santander na América pela UNI e pela Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul, “esse acordo não é importante apenas para os trabalhadores, mas também para as empresas, pois agrega valor à suas imagens. Bancos deste porte precisam ter acordos marcos globais”, opina a sindicalista.

As direções mundiais dos dois bancos reagiram à demanda de forma diversa. O Santander ainda não se posicionou de forma definitiva, mas afirmou que está analisando o pedido e que dará uma resposta assim que tomar uma decisão. Um bom sinal para os bancários é a possibilidade, ainda não confirmada, da participação da diretora de Recursos Humanos do Santander no Brasil no seminário internacional. Já o HSBC reagiu mal, dizendo que respeita os trabalhadores, mas que se nega a discutir um acordo para todos os países onde atua. “A postura do Santander mostra que o banco está mais disposto a conversar. Já o HSBC, se mantido este posicionamento, força o conflito, nos obrigando a fazer manifestações e levar denúncias a órgãos internacionais, por exemplo. Esperamos que o banco inglês mude sua postura”, afirmou Monzane.

Diferenças – O sindicalista dá um exemplo de uma atitude tomada pelo HSBC há cerca de 4 anos como forma de ilustrar a importância de um acordo que valha para todos os países do mundo. Na oportunidade, o banco britânico mudou seu setor de call center da Inglaterra para a Malásia e para a Índia. “Na Inglaterra, os bancários trabalhavam quatro horas por dia e recebiam entre 2 mil e 2,5 mil euros por mês. Na Ásia, as jornadas passaram de oito a 12 horas por dia e os salários passaram em média para 400 dólares mensais.”

Adicionada em 10/03/2010 10:43:17
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